Debate - materiais utilizados (sistema francês) - Sofia Milheiro
Sofia Milheiro
Nº140123234
5 minutos – apresentação – apresentar os
argumentos, fundamentar e falar bem -
Este sistema que nasceu em França, vigora hoje em
dias em quase todos os países continentais da Europa ocidental e em muitos dos
novo Estados que acederam à independência no século XX depois de terem sido colónias
desses países europeus, excluindo, logicamente, os nacionalismos históricos.
Portugal aderiu a este sistema em 1832.
Apresentado este tema segue uma lista elaborada
por nós com 5 argumentos fundamentais que sustentam a ideia de que o sistema
francês é, sem sobra de dúvidas, melhor do que o sistema britânico.
Matilde 1º argumento - Supremacia do Interesse Público
Fundamento: a supremacia do interesse público significa que a
Administração pode atuar em prol do bem comum, mesmo que isso implique
restrições aos interesses privados. Essa lógica protege a coletividade e impede
que a liberdade individual se sobreponha às necessidades sociais.
Referência real: Caso Blanco (1873, Tribunal de Conflitos da
França): estabeleceu que o Estado tem regras especiais para sua
responsabilidade, distintas do direito privado.
Sofia 2º argumento – Existência de uma Jurisdição Administrativa Especializada
Fundamento: O direito
francês adota um duplo sistema de jurisdição, ou seja, distingue
entre justiça administrativa e justiça comum. Questões administrativas são resolvidas pelo Conselho de
Estado e não pelos tribunais comuns.
Referências reais:
Lei
de 16 e 24 de agosto de 1790: Estabeleceu a separação entre justiça
administrativa e justiça judicial, impedindo que juízes comuns decidissem sobre
atos administrativos.
Caso
Cadot (1889, conselho de estado): Reforçou que o Conselho de Estado
tem competência final sobre os litígios administrativos.
Francisca
3. Princípio da Continuidade dos Serviços Públicos
Fundamento: No modelo francês, os serviços públicos devem ser prestados
de forma contínua, pois afetam direitos essenciais da população. A continuidade dos serviços públicos é uma garantia do funcionamento do Estado para que não seja
interrompido por greves ou crises políticas.
Referências reais:
Duguit
(Escola do Serviço Público): Defendia que a administração existe
para garantir serviços públicos essenciais, e essa é a principal
justificação do poder do Estado.
Caso
Dehaene (1950, conselho de estado) Limitou o direito de greve de
funcionários públicos para garantir a continuidade dos serviços essenciais.
Mauro - 4. Maior Controlo da Administração Pública
Fundamento: O modelo francês também se destaca pelo controle
rigoroso da Administração Pública, garantindo que todos os atos administrativos
estejam submetidos ao princípio da legalidade.
Referências legais:
Caso
Benjamin (1933, conselho de estado): Decidiu que restrições
administrativas (como proibições de manifestações) devem
ser proporcionais e não podem violar direitos fundamentais.
Princípio
da Legalidade Administrativa: A Administração só pode agir dentro dos
limites legais e do interesse público, sob pena de nulidade do ato.
Zé - 5. Planeamento e Intervenção Estatal mais Forte
Fundamento: o sistema francês permite uma intervenção estadual
mais forte na economia, garantindo um planeamento eficiente e o controle de
setores estratégicos.
Referências legais:
Jean
Rivero e Waline (Doutrina Francesa): Defendem que o direito administrativo
francês permite um planeamento econômico e social mais forte do que
nos sistemas anglo-saxónicos.
Casos
práticos: O Estado francês gere setores estratégicos, como transportes e
energia, através de empresas públicas (SNCF, EDF, La Poste).
9 minutos (3x3) – discussão e critica aos
argumentos da outra equipa –
1. O
problema dos precedentes e da jurisprudência
Argumento
a favor do sistema britânico: O sistema britânico baseia-se
na common law, onde a jurisprudência e os precedentes judiciais garantem coerência
e previsibilidade nas decisões, permitindo maior segurança jurídica aos
cidadãos. Isso evita mudanças bruscas na interpretação da lei e promove a
estabilidade institucional.
Contra-argumento a favor do sistema francês: No
entanto, essa previsibilidade pode criar um problema: uma decisão tomada em um
caso passado pode ser aplicada mecanicamente a um novo caso, mesmo quando há
particularidades relevantes. Isso pode comprometer a imparcialidade, pois os
juízes podem se sentir inclinados a seguir precedentes em vez de analisar cada
caso com profundidade. Ou seja: pode não haver um esforço em olhar
para cada caso com olhos minuciosos, analisando as respetivas nuances. Isto
compromete a imparcialidade , uma vez que, Se um juiz já
tem uma decisão prévia como referência, pode haver uma tendência a segui-la
mecanicamente.
Possível
refutação britânica: No common law, existe o
princípio do distinguishing, que permite que um juiz decida não seguir um
precedente se encontrar diferenças relevantes entre os casos.
Resposta
favorável ao sistema francês: O problema é que isso depende
da interpretação do juiz, e alguns podem preferir seguir o precedente para
evitar o risco de contestação. Além disso, um erro cometido em um caso pode se
tornar um precedente e afetar vários casos futuros, perpetuando injustiças. No
sistema francês, um erro afeta apenas aquele caso e pode ser corrigido no
próximo, sem o risco de se tornar uma regra rígida.
2. O
conflito entre justiça e estabilidade
Argumento
a favor do sistema britânico: A estabilidade jurídica é um
pilar essencial do sistema britânico. O uso de precedentes cria segurança
jurídica, garantindo que casos semelhantes sejam tratados de forma igual,
evitando decisões arbitrárias.
Contra-argumento
a favor do sistema francês: Contudo, previsibilidade não
é sinônimo de justiça. Se um precedente for injusto ou inadequado para um novo
caso, segui-lo apenas por coerência pode perpetuar erros. O sistema britânico
enfrenta um conflito entre justiça e estabilidade, pois muitas vezes a busca
pela estabilidade acaba impedindo mudanças necessárias na aplicação da lei.
Possível
refutação britânica: O sistema britânico equilibra
estabilidade e justiça ao permitir exceções e revisão de precedentes quando
necessário.
Resposta
favorável ao sistema francês: O sistema francês permite uma
adaptação mais flexível às novas realidades sociais e administrativas. Em áreas
como direitos digitais e inteligência artificial,
o common law pode demorar mais para evoluir, pois os juízes
precisam seguir precedentes antigos que podem não refletir os avanços
tecnológicos atuais. No sistema francês, os juízes podem decidir de forma mais
inovadora e conforme as novas necessidades da sociedade.
Possível argumento britânico : o
sistema francês permite decisões injustas porque ta depende da interpretação
individual dos juízes, sem precedentes para ajudar.
Resposta
favorável ao sistema francês: No common law, os
juízes também interpretam a lei e podem cometer erros, mas com um agravante: um
erro pode se tornar um precedente e afetar vários casos futuros. No sistema
francês, um erro afeta apenas aquele caso e pode ser corrigido no próximo.
Desse modo, o sistema francês continua a ser o melhor neste aspeto porque
tem o risco da subjetividade, mas possui mais mecanismos para corrigir
injustiças caso a caso, sem perpetuar erros por meio de precedentes
obrigatórios que pode demorar a ser alterado devido ao sistema do stare
decisis ( princípio que determina que as
decisões de tribunais superiores devem ser seguidas pelos tribunais inferiores;
para que um precedente se torne obrigatório, ele deve ser estabelecido por uma
corte de alta instância, como a Supreme Court do Reino Unido ou a
Suprema Corte dos Estados Unidos; apenas o fundamento jurídico (rácio decidendi),
é vinculante para casos futuros. As opiniões acessórias (obiter dicta) não são
obrigatórias.). Para que um precedente seja
superado, é necessário que um tribunal superior reveja e anule a decisão
anterior, o que pode levar anos ou até décadas.Temos um ex real
do caso de Plessy v. Ferguson nos EUA
que levou mais de 50 anos a ser revertido
3.
A demora processual no sistema britânico
Argumento
a favor do sistema britânico: Os tribunais comuns garantem
que todos os cidadãos, independentemente de sua posição, estejam sujeitos ao
mesmo sistema de justiça, promovendo igualdade e evitando privilégios.
Resposta
favorável ao sistema francês: Como os tribunais comuns
julgam tanto casos administrativos quanto outros litígios, há um grande volume
de processos, tornando a evolução do direito administrativo mais lenta.
Na
prática, os processos administrativos no sistema britânico podem se tornar
longos e caros, pois seguem o mesmo rito processual dos litígios entre
particulares. Isso pode desmotivar muitas pessoas a buscar justiça,
especialmente aquelas que enfrentam dificuldades financeiras ou não entendem
completamente o funcionamento do sistema. Assim poderia haver uma falsa
perceção de igualdade, existindo na realidade uma desigualdade de acesso à
justiça, porque os mais fracos economicamente tendem a ser mais desmotivados a
aceder aos tribunais porque os ganhos no final podem não compensar o
que haverão de perder.
Possível
refutação britânica: A duração dos processos é um
problema em qualquer sistema jurídico, e os tribunais britânicos estão
constantemente buscando formas de acelerar o julgamento de casos
administrativos.
Resposta
favorável ao sistema francês: O sistema francês, com
tribunais administrativos especializados, procura resolver litígios
administrativos de forma mais rápida e eficiente. Isso garante que os motivos
pelos quais os particulares recorreram ao tribunal sejam tratados de forma célere
e eficaz, evitando que a demora esvazie as razões do litígio.
Ex
prático desse problema : O caso "R
(on the application of UNISON) v Lord Chancellor"
(2017) mostra o problema típico do contencioso
administrativo no sistema britânico, relacionado à demora processual (assim
como o custo de acesso a justiça em parte) Breve explicação do
caso: O governo britânico impôs taxas elevadas para ingressar com ações nos
tribunais trabalhistas, que fazem parte do sistema comum. Isso tornou mais
difícil para cidadãos comuns contestarem decisões da administração pública
relacionadas a direitos trabalhistas.
O processo
para reverter essa política levou quatro anos, prejudicando aqueles
que precisavam de uma solução imediata. Durante esse período, milhares de
trabalhadores não conseguiram buscar reparação por demissões ou abusos administrativos.
Decisão Final da Suprema Corte: Após anos de litígio, o tribunal decidiu que a cobrança de taxas violava o direito fundamental de acesso à justiça. No entanto, essa decisão demorou, e muitos cidadãos já haviam sido prejudicados.
4. A
falta de especialização dos tribunais britânicos em direito administrativo
Argumento
a favor do sistema britânico: A unidade de jurisdição no
Reino Unido garante que a administração pública seja tratada como qualquer
outro sujeito de direito, sem privilégios. Além disso, os tribunais comuns
podem julgar tanto litígios administrativos quanto disputas entre particulares,
garantindo uniformidade na aplicação do direito.
Contra-argumento
a favor do sistema francês: No entanto, essa estrutura
pode gerar problemas. Os tribunais comuns não são necessariamente preparados ou
especializados para lidar com questões administrativas complexas, o que pode
aumentar o tempo de resolução dos casos e comprometer a qualidade das decisões.
Possível
refutação britânica: Juízes britânicos lidam
frequentemente com casos administrativos e desenvolvem conhecimento
especializado por meio da prática e da jurisprudência consolidada.
Resposta
favorável ao sistema francês: A especialização dos
tribunais administrativos franceses com tribunais como o
Conselho de Estado (Conseil d'État), garante uma análise mais
aprofundada dos casos e uma resposta mais adequada às questões administrativas
complexas. Além disso, o sistema francês evita a possível influência indireta
do Executivo sobre os tribunais comuns, garantindo maior independência na
tomada de decisões administrativas.
Nota : No Reino Unido, os tribunais administrativos existem, mas não
são completamente separados do sistema judicial comum. Em vez disso, há
instâncias especializadas dentro do próprio sistema de tribunais comuns para
julgar questões administrativas. Exemplos incluem:
Tribunais de Primeira Instância (First-tier Tribunal) – Responsável por uma variedade de matérias administrativas, como
imigração, direito do trabalho e impostos.
Tribunal
Superior (Upper Tribunal) – Atua como instância de
recurso dentro da jurisdição administrativa.
Suprema
Corte (Supreme Court) – Pode decidir sobre casos
administrativos, mas dentro do mesmo arcabouço dos tribunais comuns.
A grande questão é que, mesmo com tribunais especializados, eles ainda
fazem parte da estrutura judicial comum, o que pode gerar influência indireta
do Executivo e não garante total independência nas decisões administrativas.
Já no sistema francês, existe uma hierarquia completamente separada dos
tribunais judiciais para tratar exclusivamente de litígios administrativos.
Essa hierarquia inclui:
Tribunais
Administrativos (Tribunaux Administratifs) – Primeira instância, responsável por julgar a maioria dos conflitos
entre cidadãos e administração pública.
Tribunais
Administrativos de Recurso (Cours Administratives d’Appel) – Segunda instância, revisa as decisões dos tribunais
administrativos.
Conselho de
Estado (Conseil d’État) – Última instância do
contencioso administrativo e também órgão consultivo do governo.
5. O
privilégio de execução prévia e a eficiência administrativa
Argumento
a favor do sistema francês: No sistema francês, o
privilégio de execução prévia garante que a administração pública possa
implementar suas decisões de imediato, sem depender de um processo judicial
prévio. Isso não apenas agiliza a ação administrativa, mas também impede que processos
burocráticos retardem medidas essenciais para o interesse público.
Em
contrapartida, o sistema britânico exige que a administração passe por um
tribunal comum antes de executar suas decisões, o que pode criar entraves
significativos na implementação de políticas públicas. Questões como obras
públicas, sanções administrativas e regulações econômicas
podem ficar paralisadas por anos até que um tribunal decida sobre a
legalidade da medida. Impossibilitando assim a prossecução do interesse
público.
Possível
refutação britânica: A ausência do privilégio de
execução prévia protege os cidadãos contra decisões arbitrárias da
administração, garantindo que nenhum ato administrativo seja imposto sem um
controle judicial prévio.
Resposta
favorável ao sistema francês: O sistema francês combina
eficiência administrativa com a possibilidade de controle judicial posterior,
garantindo que o cidadão possa contestar decisões injustas sem impedir o
funcionamento ágil do Estado. Assim, evita-se que a máquina pública fique
travada por processos demorados e onerosos, assegurando tanto a proteção dos
direitos individuais quanto a eficácia governamental.
Assim,
podemos dizer também que no modelo francês, a Administração
Pública tem um papel ativo na proteção do interesse geral, podendo
intervir diretamente em setores estratégicos da sociedade.
No Reino Unido, a subordinação total da Administração ao direito comum pode levar a um predomínio dos interesses individuais sobre o bem coletivo, dificultando a implementação de políticas públicas essenciais.
__________________________________________________________________________Comparação entre sistemas
A comparação entre os dois sistemas evidenciam duas abordagens distintas
à administração pública e à relação entre o Estado e os cidadãos.
Semelhanças
Estado de Direito
Ambos os sistemas reconhecem a supremacia da lei sobre a administração
pública.
· No sistema inglês esse princípio é chamado de
rule of law, o que significa que todas as pessoas e órgãos públicos
estão sujeitos ao mesmo direito comum.
· No sistema francês é o principe de
legalité que obriga a administração pública a atuar dentro dos limites
legais, garantindo que todas as decisões estejam conformes à lei.
Controlo da Administração Pública
Nos dois países, a administração está sujeita a controlo jurisdicional,
garantindo que não há abuso de poder ou ilegalidades.
· No sistema inglês este controlo é feito pelos
tribunais comuns.
· No sistema francês é feito por tribunais
administrativos especializados como o Conselho de Estado.
Proteção dos Direitos dos Cidadãos
Ambos os sistemas garantem mecanismos de defesa contra abuso da
administração.
· No sistema inglês, os cidadãos podem recorrer
aos tribunais comuns, apresentando pedidos de revisão judicial.
· No sistema francês, os tribunais
administrativos avaliam a legalidade dos atos administrativos e garantem a
defesa dos cidadãos contra ações abusivas do Estado.
Princípio da responsabilidade do Estado
Ambos os sistemas reconhecem que o Estado pode ser responsabilizado por
danos causados pela administração pública.
· No sistema inglês a responsabilidade da
administração segue o direito comum e pode ser apurada nos tribunais.
· No sistema francês a jurisprudência do
Conselho de Estado estabeleceu a possibilidade de o Estado ser responsabilizado
com ou sem culpa especialmente em atividades perigosas (caso Arrêt Blanco,
1873).
Fiscalização da Administração Pública
Embora os sistemas tenham métodos diferentes, ambos preveem a
fiscalização da administração pública por meio de órgãos específicos. Ambos os
sistemas evitam a arbitrariedade e garantem que a administração pública atua
dentro dos limites da lei.
· No sistema inglês, o parlamento e os
tribunais comuns exercem um controlo rigoroso sobre as atividade da
administração pública.
· No sistema francês, o Conselho de Estado e o
Tribunal de Contas garantem a supervisão da legalidade dos atos administrativos
e a correta utilização dos recursos públicos.
Possibilidade de recurso contra decisões administravas
Nos dois sistemas, um cidadão pode recorrer contra uma decisão
administrativa caso considere que houve abuso de poder ou ilegalidade.
· No sistema inglês, pode-se recorrer aos
tribunais comuns para pedir revisão judicial.
· No sistema francês, os cidadãos podem
apresentar recurso aos tribunais administrativos, podendo a decisão final ser
analisada pelo Conselho de Estado.
Importância dos Serviços Públicos
Ambos os sistemas reconhecem a importância dos serviços públicos e garantem que a
administração atue para manter a continuidade dos serviços essenciais,
assegurar que os cidadãos tenham acesso a serviços básicos independente da sua
condição social e regulam e fiscalizam setores estratégicos da economia,
garantindo o bem-estar coletivo.
·
Ainda que
no sistema inglês o setor privado tenha um papel mais ativo em alguns serviços
públicos, o princípio da prestação de serviços essenciais pelo Estado é um
ponto comum entre os sistemas.
Diferenças
Natureza
e função do direito administrativo
·
O sistema
britânico não reconhece o direito administrativo como um ramo autónomo do
direito. Em vez disso, considera que as regras aplicáveis á administração são
as mesmas aplicáveis aos cidadãos, sem necessidade de um corpo jurídico
especializado.
·
O sistema
francês, por outro lado, desenvolveu um direito administrativo distinto do
direito comum, com regras próprias e uma jurisdição separada para tratar
litígios entre cidadãos e a administração.
Capacidade
de Autotutela da administração
·
No
sistema francês, a administração tem poderes unilaterais, podendo executar
diretamente as suas decisões sem necessidade de aprovação judicial prévia. Se
um cidadão discordar de uma decisão administrativa, ele pode recorrer aos
tribunais administrativos, mas até lá, a decisão mantém-se em vigor.
·
No
sistema inglês, a administração não pode impor decisões de forma unilateral e
deve recorrer aos tribunais para garantir a execução das suas determinações.
Prerrogativas do Estado e dos cidadãos
·
O sistema
francês concede á administração pública prerrogativas especiais em nome do
interesse público. Isto incluiu o poder de modificar unilateralmente contratos
administrativos, expropriar bens para utilidade pública e executar atos
administrativos sem consentimento dos afetados.
· No sistema inglês, o Estado não tem privilégios especiais, e é tratado, perante os tribunais, da mesma forma que os cidadãos.
Influência da jurisprudência
·
O sistema
inglês, é baseado no sistema de precedentes obrigatórios o que significa que as
decisões anteriores dos tribunais vinculam casos futuros. Assim, a evolução do
direito administrativo no Reino Unido ocorre por meio das decisões judiciais.
·
No
sistema francês, a jurisprudência do Conselho de Estado, tem grande influência,
mas não é vinculativa no sentido do common law. O direito administrativo
francês evoluiu principalmente por meio de leis e regulamentos.
Organização
e estrutura do Estado
·
O sistema
inglês tem um modelo descentralizado, no qual as autoridades locais possuem
ampla autonomia e podem tomar decisões impendentemente de governo central.
·
O sistema
francês, apesar da existência de autarquias locais, o Estado tem um papel muito
mais forte na administração, supervisionando e controlando as ações dos
governos locais.
Responsabilidade
do Estado
·
No
sistema inglês, a responsabilidade do Estado segue o direito comum e depende da
comprovação de culpa por parte da administração.
·
Já no
sistema francês, a jurisprudência reconhece que o estado pode se
responsabilizado sem culpa, especialmente em casos de falha na prestação de
serviços públicos.
Aplicação
de medidas coercivas
·
No
sistema se a administração tomar uma decisão que afeta um particular essa
decisão pode ser aplicada imediatamente, mesmo que o cidadãos apresente recurso
contra ela.
·
No
sistema inglês, se um particular não aceitar uma decisão administrativa, a
administração tem de reconhecer ao tribunal para garantir a sua execução.
Resumo:
O sistema
britânico prioriza a separação entre a administração e o judiciário,
garantindo que o Estado esteja submetido às mesmas regras que os cidadãos.
Ele protege mais os direitos individuais e limita os poderes da
administração, tornando os processos administrativos mais demorados e
dependentes do aval dos tribunais.
O sistema francês,
por sua vez, concede prerrogativas especiais à administração pública,
permitindo-lhe atuar com maior autonomia e eficiência. O modelo francês
favorece o interesse público, garantindo a continuidade dos serviços
públicos e a execução rápida das políticas governamentais, mas pode
restringir a proteção individual contra abusos administrativos.
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