"Como o 25 de abril mudou para sempre a Administração"
Trabalho realizado por: Rodrigo Roque nº140123040
Fazem hoje 51 anos desde que ocorreu um dos eventos mais importantes na história portuguesa e a qual permitiu que, atualmente, tenhamos um mundo marcado pela liberdade.
A revolução de 25 de abril de 1974 marcou uma rutura
profunda no sistema político e social português, pondo fim a quase cinco
décadas de ditadura do Estado Novo e, neste sentido, a Administração Pública,
enquanto espelho da organização do Estado foi obviamente uma das áreas mais
afetadas por esta transformação. O golpe militar orientado e conduzido pelo
Movimento das Forças Armadas (MFA) deu azo a um processo de democratização que
acabou por reestruturar por completo o funcionamento da Administração.
Antes da revolução, a Administração Pública era altamente
autoritária e centralizada, visto que, estava subordinada ao poder político
ditatorial e servia como um instrumento de controlo. Mais ainda, pode-se dizer
que era caracterizada pela sua forte burocratização e uma ausência de
participação cívica, outro problema bastante presente daquele período era a
falta de autonomia das administrações locais porque como disse anteriormente, a
Administração era extremamente centralizada e, por fim, convém mencionar o
aspeto da censura já que, na altura, era algo fortemente utilizado como forma
de “silenciar” a população, bem como, o facto das eleições para cargos
políticos e públicos serem com base na “lealdade política” em vez do mérito.
Após a revolução, com a queda do regime, a Administração Pública
foi sujeita a uma reestruturação “do zero”, com diversas mudanças que entre as
principais destacar-se-iam a criação de novos ministérios e serviços públicos
adaptados à nova realidade social e económica; a
democratização do funcionalismo público; e uma atribuição de poderes autónomos
às autarquias locais, deste modo, descentralizando o poder da antiga
Administração.
No entanto, não podemos falar sobre o evento do 25 de abril
sem falar, como é de se esperar, da Constituição de 1976 que serve de base
(embora com certas alterações por revisões constitucionais), ainda hoje, da atual
Constituição que foi evoluindo de forma a acompanhar as mudanças no quadro
político-social. Esta nova Constituição foi um marco essencial na reorganização
da Administração e consagrou alguns princípios fundamentais que hoje temos
muito apreço, são eles o princípio da legalidade, da imparcialidade, da transparência
e da participação dos cidadãos, sem falar que o papel da Administração passou a
ser um de ajuda/regulação e não um de repressão
Por fim, nas décadas que se seguiram, a Administração foi
alvo de sucessivas reformas orientadas por novos objetivos como a progressiva descentralização
administrativa e a maior eficiência na gestão dos recursos públicos.
Concluindo, o 25 de abril representou uma mudança estrutural e marcante na Administração Pública portuguesa, visto que, passou de um aparelho repressivo e autoritário para um aparelho ao serviço da sociedade. As reformas introduzidas consolidaram alguns dos princípios do Estado de Direito Democrático sendo os pilares que atualmente sustentam o seu funcionamento.
Bibliografia:
· Constituição da República Portuguesa
· SERRANO, António José – A Administração Pública Portuguesa: de Salazar ao 25 de Abril, Lisboa, 2004
· TORGAL, Luís Reis – A Revolução do 25 de Abril e o Estado Português, Coimbra, 1999
· FERRÃO, João – Administração Pública e Cidadania, Fundação Calouste Gulbenkian, 2010
Trabalho feito no dia certo!
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